Em pouco tempo, Malta/PB deixou de falar de turismo apenas como vocação e passou a organizar estrutura, regras e planos para transformar esse potencial em desenvolvimento real. A criação do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), do Fundo Municipal de Turismo (FUMTUR), o processo para inclusão no Mapa do Turismo Brasileiro e a atuação do Programa Agente de Roteiros Turísticos (ART) colocam o município em outro patamar de maturidade.

A seguir, um panorama dos avanços e de como tudo isso se conecta a políticas nacionais e estaduais de turismo.


Programa de Regionalização do Turismo: de Brasília ao Sertão

O ponto de partida é o Programa de Regionalização do Turismo (PRT), política estruturante do Ministério do Turismo que organiza a gestão do setor em regiões turísticas, articulando União, estados e municípios. O objetivo central é apoiar a estruturação de destinos, a gestão e a promoção do turismo, a partir de eixos como gestão descentralizada, planejamento, qualificação, promoção e monitoramento.

Na prática, o PRT propõe que os municípios deixem de atuar de forma isolada e passem a se organizar em instâncias de governança regional – como é o caso do Vale dos Sertões, do qual Malta faz parte. Essa articulação regional é hoje critério explícito para acessar programas, editais e ações técnicas do Ministério do Turismo.


Mapa do Turismo Brasileiro: o “RG” do destino diante do MTur

Dentro do PRT, o Mapa do Turismo Brasileiro é o principal instrumento de referência. Ele define o recorte territorial prioritário das políticas federais de turismo e classifica os municípios de acordo com o desempenho da economia do setor, com base em múltiplos indicadores.

Em 2025, o Mapa passou por uma atualização profunda: a metodologia de categorização foi ampliada para 70 variáveis organizadas em 10 dimensões, como governança, oferta turística, infraestrutura e indicadores econômicos. Os municípios passaram a ser agrupados em três grandes perfis: município turístico, município com oferta complementar e município de apoio ao turismo.

Estar no Mapa não é apenas “aparecer em uma lista”. Significa que o município:

Em troca, o município ganha prioridade técnica e política: o Mapa orienta transferências voluntárias de recursos federais, convênios, programas de qualificação, promoção e investimentos em infraestrutura turística. Estados como o Espírito Santo, por exemplo, deixam claro que concentram sua atuação nos municípios que integram o Mapa, justamente porque estes demonstram organização da gestão turística.


Malta/PB: COMTUR, FUMTUR e SISMAPA abrindo portas

Nesse contexto, Malta/PB está alinhando sua casa para ocupar seu lugar no Mapa do Turismo Brasileiro e na governança regional do Vale dos Sertões.

Entre os principais avanços recentes estão:

Essas iniciativas posicionam Malta em sintonia com as normas da Portaria MTur nº 9/2025, que atualiza o marco do Programa de Regionalização do Turismo, do Mapa do Turismo e da categorização dos municípios, e vincula o acompanhamento das transferências de recursos federais a esse recorte territorial.

Em outras palavras: quanto mais organizado estiver o turismo de Malta – com COMTUR ativo, FUMTUR estruturado e informações atualizadas no SISMAPA – maiores são as chances de o município acessar editais, convênios e programas nacionais de fomento ao setor.


O papel do COMTUR e do FUMTUR na prática

O COMTUR é o espaço onde governo, empresários e comunidade se encontram para decidir o rumo do turismo. Cabe ao Conselho:

Já o FUMTUR é o “cofre carimbado” do turismo: nele podem ser alocados recursos do orçamento municipal, convênios com o Estado e a União, parcerias com o setor privado, receitas de eventos, taxas específicas e doações. A grande diferença é que o dinheiro do FUMTUR só pode ser usado em ações ligadas ao turismo, e sempre com deliberação prévia do COMTUR, garantindo transparência e foco.

Com esse arranjo, Malta começa a sair de um modelo pontual (“fazer turismo quando sobra recurso”) para uma lógica de planejamento contínuo, com orçamento próprio, participação social e visão de longo prazo.


Programa ART: Agentes de Roteiros Turísticos levam inovação ao interior

Outro protagonismo importante em Malta vem do Programa Agente de Roteiros Turísticos (ART), iniciativa do Sebrae/PB em parceria com o Governo do Estado, que vem acelerando a criação de roteiros em toda a Paraíba.

O programa nasceu para mapear, identificar, qualificar e formatar roteiros turísticos nas diferentes regiões do país, aproximando pequenos negócios, comunidades e poder público.

Na Paraíba, o Sebrae contratou 21 novos Agentes de Roteiros Turísticos com a meta de estruturar 44 novos roteiros até 2026, cobrindo todos os 223 municípios – o que inclui o Vale dos Sertões e, naturalmente, Malta.

Esses roteiros têm forte foco em ecoturismo, turismo de base comunitária e experiências culturais, envolvendo comunidades rurais, quilombolas e indígenas, além de atrativos religiosos e de natureza.

No caso de Malta, o trabalho do ART em articulação com o COMTUR tem priorizado:

O Programa ART funciona como uma ponte entre a política de regionalização e a realidade do território: ajuda a transformar diagnósticos e planos em produtos turísticos concretos, com roteiros, preços, capacidade de carga e estratégias de comercialização.


Oficinas, planejamento e voz ativa na região

Com essa base montada, Malta avança agora para uma etapa decisiva: planejar o futuro do turismo de forma participativa.

A oficina de Planejamento Estratégico do COMTUR, agendada para 24/02/2026, na Prefeitura Municipal, será o espaço para:

A presença de conselheiros, empreendedores, lideranças religiosas e comunitárias, juventude, cultura e demais interessados é o que dará legitimidade e força política às decisões.


Por que tudo isso importa?

Porque, em um cenário de recursos disputados e políticas federais cada vez mais técnicas, ficar fora do Mapa do Turismo e do Programa de Regionalização significa ficar fora das oportunidades.

Ao fortalecer o COMTUR, regulamentar o FUMTUR, organizar seus dados no SISMAPA e participar ativamente do Programa ART, Malta/PB deixa claro que quer estar na vitrine – não na plateia – do desenvolvimento turístico paraibano.

É assim que o município se prepara para:

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